Harley-Davidson do século passado virou híbrida: eletrificar para salvar é a resposta para motos clássicas?
- José Caetano

- há 2 dias
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Acabo de ler uma matéria do site Ultimate Motorcycling sobre a conversão de três Harley-Davidsons centenárias do ator Jason Momoa em modelos híbridos e elétricos por uma empresa britânica — devolvendo às estradas máquinas que, em alguns casos, tinham o motor travado além de qualquer conserto, mas mantendo intacta a estética e a alma de cada uma delas.
As motos são uma Model FD de 1921 e dois Model JD, de 1924 e 1927. Os dois JDs continuam com seus V-twins originais funcionando, agora em configuração híbrida plug-in. Já a FD de 1921, cujo motor estava irreparável, virou elétrica pura — e voltou a rodar. O detalhe que mais importa para quem é do mundo das clássicas: nenhuma peça original foi cortada, furada ou soldada. A conversão é completamente reversível.
A empresa por trás do trabalho é a Electrogenic, baseada em Oxfordshire, na Inglaterra, especializada em kits de conversão elétrica para carros clássicos — e que já tinha ajudado o astro de Duna e Liga da Justiça com a eletrificação de sua frota de Land Rovers. As Harleys foram o primeiro projeto de motos da empresa. Momoa pode alternar entre modo elétrico, gasolina pura ou potência combinada com uma simples chave. A autonomia elétrica passa de 80 km. O kit está disponível para compra a partir de £14.500, e as motos aparecem em On The Roam, a série documental de Momoa no HBO.

Eletrificar seria a solução?
Aí é que me pego pensando sobre o tema dos motores elétricos, ainda mais quando tento andar pelas ruas das nossas cidades repletas de motonetas e patinetes elétricos pilotados por adolescentes que não fazem nenhuma ideia das regras de trânsito.
Confesso que gosto do som dos motores à combustão e os elétricos ainda não me convencem. Lembro de uma viagem que fiz a Curitiba quando, ao entrar na Régis Bittencourt, parei para abastecer e comer um pão de queijo antes de pegar o maior trecho da estrada. Havia um carro elétrico plugado na tomada de carga rápida do restaurante. Eu enchi o tanque, enchi a pança com um bom cappuccino e alguns quitutes, tirei fotos do belo jardim nos fundos do Graal e, quando saí, ainda faltava meia hora para a bateria daquele carro ficar completa. Despedi-me do motorista e segui viagem. Meia hora depois, eu estava praticamente na divisa com o Paraná.
A própria divisão de motos elétricas da Harley-Davidson — a LiveWire — só dá prejuízo, balanço após balanço. Isso nos mostra que tem mais gente como eu por aí, desconfiada dos motores elétricos e da tal "limpeza" dessa energia.
Porém, há outro lado da história. Os elétricos vieram para ficar, ao que parece, e é inegável que é muito mais cômodo deixar uma moto na tomada à noite e sair rodando pela manhã do que parar no posto menos suspeito da vizinhança para colocar 30% de álcool numa moto feita para gasolina pura.
Legislação cada vez mais restritiva
Outro ponto que a solução de Momoa nos convida a refletir é o cerco crescente das legislações urbanas aos motores à combustão. Londres, Roma, Hanói e outras cidades já restringem os ditos poluentes, e a eletrificação — ainda que parcial, como no caso dessas Harleys — surge como alternativa real para quem não quer abrir mão de pilotar sua moto clássica nessas metrópoles.
Nesse sentido, Momoa foi um gênio: vai continuar curtindo suas Harleys centenárias em Los Angeles no modo elétrico, sem emissões e sem barulho, e quando quiser ouvir o V-twin responder, é só girar a chave — e seguir estrada afora.
Por fim, ainda há um tema que deve ser levado em consideração. Quais países do mundo produzem energia elétrica realmente limpa? Mas isso é um tema para outro editorial, lá no futuro, quando nós estivermos fugindo das autoridades com




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