MotoGP e o rolê de moto ficando mais caro
- José Caetano

- há 2 dias
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No exato momento em que escrevo estas linhas, os motores estão roncando no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, em pleno Planalto Central, marcando duas voltas históricas: o retorno da MotoGP ao Brasil depois de 22 anos e a reestreia de um brasileiro na categoria máxima, com Diogo Moreira alinhando pela LCR Honda. Enquanto a borracha dos pneus derrete no asfalto do Centro-Oeste, o combustível fica perigosamente mais caro no mundo inteiro, e, por aqui, o avanço do preço do diesel reacende o risco de uma nova paralisação de caminhoneiros — ameaça suficiente para colocar em xeque os próximos deslocamentos de moto.

Brasil no MotoGP
Quem tem menos de 20 anos não pôde se emocionar com Alexandre Barros, um dos maiores pioneiros do motociclismo brasileiro na elite mundial. Ele estreou no campeonato aos 15 anos, em 1986, e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer na categoria principal do MotoGP, com 7 triunfos – incluindo a histórica dobradinha em Portugal em 2005 –, 32 pódios e a liderança do campeonato em 1996.
Ele simplesmente competiu por 21 temporadas, até 2007, enfrentando gigantes como Valentino Rossi, pavimentando o caminho para o Brasil no MotoGP, inspirando gerações com sua persistência num país que não oferecia quase nenhuma estrutura enquanto todos os olhos de esportes de motor eram voltados para a Fórmula 1.
Diogo Moreira tem um belo caminho a percorrer. É jovem – tem 21 anos – e já provou que tem garra de campeão. Começou no motocross aos 5 anos, mudou-se para a Espanha em 2017 aos 12/13 anos e brilhou em categorias de base como Red Bull Rookies Cup (6º em 2021, com 4 pódios). Estreou no Mundial de Moto3 em 2022 pela MT Helmets-MSI (KTM): Rookie do ano, 8º no campeonato; em 2023, primeira vitória brasileira em 18 anos (Indonésia), 1 vitória, 3 poles, 8º geral.
Na Moto2 (Italtrans, Kalex), 2024 foi Rookie do ano (~10º-13º); em 2025, explodiu com 4 vitórias, 7 poles, 9 pódios e título em Valência (11º lugar, 286 pontos, +29 sobre Manuel González) — maior virada da história da categoria.
Combustível subindo e possível escassez de gasolina
Para nós, que gostamos e precisamos queimar a gasolina em nosso dia a dia, um conflito no meio do Mapa Mundi tem causado preocupação no mercado de petróleo mundial. Um bendito pedacinho de mar, o famoso estreito de Ormuz, é responsável pelo comércio de 20% do petróleo em todo mundo, e a atual guerra entre a teocracia Iraniana, EUA e Israel, que tem se estendido para outros países do Golfo Pérsico, fez o barril do ouro negro atingir a cotação de 100 dólares.
O nosso grande problema nem é tanto a falta de combustível, no geral, mas o preço que está o petróleo e a capacidade da Petrobras de absorver esse valor. O pior reflexo é no preço do Diesel, que subiu não só por conta da cotação do insumo, mas porque a Petrobras resolveu racionar a venda.
Com o preço subindo, os caminhoneiros já ameaçam uma parada geral, o que significa que combustível nenhum chegará a nossos postos e coisa nenhuma chegará às prateleiras dos supermercados. Basta lembrar como foi a última greve dos caminhoneiros e o resultado do que foi aquilo numa economia que baseia quase a totalidade de sua matriz de transporte em caminhões.
Há algumas vozes dizendo que isso tudo seria uma conspiração para o banimento dos motores à combustível e a mudança definitiva para os motores elétricos. Que tudo isso faria parte do famoso Big Reset propagado pelos magnatas com cara de vilão do James Bond do Fórum Econômico Mundial. Não acreditamos nisso (ainda).
Uma semana de emoções por todos os lados. Euforia pela volta do MotoGP para o Brasil e pela volta de nossa bandeira às pistas e, por outro lado, apreensão de que nossas próprias corridas do dia a dia sejam racionadas pelas mudanças da geopolítica planetária.





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