Quanto custa entrar no universo das motos clássicas no Brasil
- José Caetano

- há 2 dias
- 4 min de leitura
Fomos até a Kiko Autos, em Taubaté, para responder uma pergunta que parece simples e não é: quanto custa entrar no universo das motos clássicas no Brasil? A resposta não cabe em um número — cabe em uma escala. Ali, lado a lado, estavam Royal Enfield, Triumph e Harley-Davidson, do modelo mais acessível ao topo de linha. Cássio Pinhal, colaborador do Portal Gasolina e eu dividimos a conversa, e o que saiu dela foi menos uma lista de preços e mais um mapa de como esse mercado se organiza hoje.

Vale começar pela pergunta por trás da pergunta: por que tanta gente, de repente, quer isso? Cássio arriscou uma leitura interessante durante a gravação. Depois da pandemia, ele percebe um movimento de resgate de identidade — as pessoas buscando personalidade e memória afetiva, num contraponto direto ao êxodo rural e à vida corrida das décadas anteriores.
A moto clássica entrega exatamente essa sensação: farol redondo, tanque em gota, a pilotagem como era no passado, mas sem abrir mão de freio ABS e manutenção fácil. Não é nostalgia por nostalgia, mas é estilo como identidade.
A entrada: Royal Enfield, de R$ 19.990 a R$ 37.490
A Royal Enfield foi quem mudou esse jogo. Antes dela, ter uma moto clássica de verdade era caro demais ou exigia lidar com uma moto de época — carburada, sem ABS, difícil de manter. A marca indiana entrou trazendo qualidade com preço acessível, sem abrir mão da sensação. A Hunter 350 é a porta de entrada, a partir de R$ 19.990. Na sequência vêm Classic 350 e Meteor 350, ainda na faixa dos vinte e poucos mil, e depois a família 650 — Classic 650, Bear 650, Shotgun 650 e Super Meteor 650 — que vai de R$ 33.990 a R$ 37.490 dependendo da cor.
Ou seja: com menos de R$ 20 mil você já está no rolê das clássicas, e com pouco mais de R$ 37 mil você tem o topo da linha Royal Enfield, motor bicilíndrico incluído.

O meio de campo: Triumph, de R$ 29.990 a R$ 83.490
Se a Royal Enfield abriu a porta, a Triumph foi obrigada a responder. Marcas premium passaram a montar também um portfólio de entrada — e a Speed 400 é essa resposta, a partir de R$ 29.990, já com todo o acabamento de uma marca inglesa centenária. Dali para cima, a Triumph estica bastante a régua: Scrambler 400X e 400XC seguem na faixa de entrada, e depois vem a família Bonneville — a clássica das clássicas, com design praticamente inalterado desde 1959. A T100, com motor de 900cc, começa em R$ 57.690; a T120, já com 1200cc, em R$ 63.890.
No topo da linha clássica moderna estão a Bonneville Bobber (R$ 72.490) e a Scrambler 1200 XE (R$ 83.490), a mais cara do grupo. É a faixa de quem já decidiu que quer mais do que entrada, mas ainda pensa em cada real.
O topo: Harley-Davidson, de R$ 119.950 a mais de R$ 315.000
E se moto clássica e moto cruiser moram no mesmo bairro, é impossível fechar essa conta sem falar da marca que está no topo da cadeia. A entrada na Harley-Davidson hoje se dá pela linha Cruiser — Street Bob e Low Rider S abrem a faixa em R$ 119.950 — e sobe até modelos como Fat Boy, Breakout e Heritage Classic, todos beirando os R$ 140 mil.
Dali em diante, a escala segue para a linha touring e para as versões CVO, chegando a mais de R$ 315.000 na CVO Street Glide Limited. No topo, o que muda não é só motor: é herança de marca, cultura de customização e uma comunidade inteira construída em torno da possibilidade de deixar a moto com a sua cara.

Da Hunter à Harley
A verdade é que, da Hunter à Harley, você não está comprando uma moto — está comprando um estilo. A moto clássica deixa de ser instrumento de transporte e vira ícone: é a vestimenta, é o que você pensa, o que você come, o que você bebe, transpirado numa máquina. E o interessante é que esse universo tem degrau para todo bolso: dá para entrar com menos de R$ 20 mil, subir aos poucos, ou já ir direto ao topo — o caminho é seu.
Quer ver a conversa completa, com o Cássio e comigo passeando por cada uma dessas motos na Kiko Autos? O vídeo está no nosso YouTube. E se você tem dúvida se vale a pena esse trampolim, se compensa comprar como segunda moto, deixe nos comentários — a gente responde com prazer. Para não perder as próximas análises, assine a nossa newsletter Tanque Cheio, gratuita, direto no seu e-mail.
Preços sugeridos pelos fabricantes para o Brasil, levantados em agosto de 2026, com frete incluso quando informado pela marca; podem variar por concessionária, cor e não incluem emplacamento e acessórios.




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