Impossível comprar uma Harley?

Chegou o início do ano e com ele surgem os lançamentos da nova linha de motos da nossa queridinha Harley Davidson e também vem aquele update da tabela de preços das motos vendidas aqui no território nacional, que teve um aumento considerável em relação ao ano passado.


Pra quem busca uma Harley Davidson zero quilômetros, o modelo de entrada da marca no Brasil supera os 100 mil Reais, tornando essas motos um veículo que podemos considerar de luxo. Não é qualquer cidadão brasileiro que pode dispor de 100 mangos para comprar uma motocicleta que não vai rodar satisfatoriamente em todas as estradas do nosso país, mesmo que nosso Ministro da Infra Estrutura esteja empenhado em asfaltar até o bairro do Quilombo, onde viveram meus avós.


O modelo, portanto, de entrada é a Softail Low Rider S, uma moto que herdou seu estilo da finada linha Dyna (ainda morro de saudades da minha Super Glide) e que traz, já de fábrica, um estilo Clubber "chique", se podemos assim dizer.



Esse aumento na tabela já desencadeou um falatório considerável, especialmente entre os "entendedores" de Harley Davidson no Brasil, chegando à beira de surgirem novos Nostradamus com suas centúrias apocalípticas anunciando o fim da marca aqui em Pindorama. Não creio que seja assim. A marca continua forte no mercado mundial e aqui no Brasil ela sofre os efeitos de nossa economia bagunçada após 2 anos de pandemia.


Nossa moeda está desvalorizada frente ao dólar e a política do CEO Jochen Zeitz busca transformar a marca em uma grife de veículos para um público com maior poder aquisitivo mesmo, como ele já deixou claro em suas aparições nesses anos anteriores. Quer uma custom mais em conta, vá para outras marcas, porque a Harley não vende motos, vende toda um produto desejável, que, por acaso, é uma moto.


Aliás, desde que me lembro por gente, Harley Davidson é uma moto mais cara, mas nem por isso ela deixa de ser desejável. O sujeito que esperneia hoje por causa do aumento de preço é aquele que não compra uma Harley zero e se diz um expert no assunto. Uma 883 usada, com mais de 10 anos, toda sofrida, sempre foi bem mais cara que uma Hondinha nova. Mas, ao contrário da Honda (aliás, nada contra), quando alguém compra uma Harley, está buscando muito mais do que só uma moto, mas todo uma história e um estilo de vida inerente à marca... Heritage!


Por mais que alguns possam querer negar isso, ou afirmar que essa característica tenha ficado no passado, quando os carburadores foram trocados por injeção eletrônica, a verdade é que a centenária marca povoa o imaginário de todo menino no mundo todo. Não sei se foram os filmes ou o estilo de vida dos harleyros ao longo dos anos, mas qualquer adolescente de cidade do interior sabe o que é uma Harley Davidson e é capaz de reconhecer o ronco de seu motor à distância. Basta ver a criançada à beira da estrada quando fazemos um rolê pelo interior. Por isso a Harley é cara! É do tipo de produto que povoa o imaginário e o desejo de muitas pessoas.


Peter Fonda pilotou, Brigitte Bardot cantou, Elvis Presley tinha... ou seja, a marca soube ser um ícone da vida desejável para todo jovem, desde seu lançamento no início do século XX.


Novos Modelos


Agora, deixando de lado as centúrias nostradâmicas dos arautos do fim da marca, que todo ano sobem em campanários para grasnar profecias que tendem a não se realizar, vamos falar dos novos modelos lançados no mercado norte-americano.


Desde que surgiu a categoria de corridas de Baggers nos EUA, a King of the Baggers, a disputa maravilhosa entre Harleys e Indians voltou para as pistas. Dessa brincadeira e do ressurgimento de um departamento da fábrica de Milwaukee focado nas competições, melhoramentos de pista foram introduzidos nas motos de linha e agora temos alguns modelos que ganharam a sigla ST após o nome. As baggers Street Glide ST, Road Glide ST e a Softail Low Rider ST.

Todas elas vêm equipadas de fábrica com o motor Milwaukee 8 de 117 polegadas cúbicas, com seu torque monstruoso, além de outras diferenças que antes só vinham nos modelos CVO (de alta performance e preço) da montadora. O grande diferencial da Low Rider ST é a carenagem frontal, no estilo das melhores club bikes e os bags laterais que se assemelham aos bags da Sport Glide, que parece ter sido descontinuada.


Além disso, a nova linha CVO 2022 das Harleys Davidson ganhou um processo de pintura especial, com pinstripes feitos do jeito que devem ser feitos e uma paleta de cores bem interessante. Aliás, para quem não assistiu ao vídeo de lançamento da série, vale a pena dar uma chegadinha no YouTube e conferir. Inclusive, no começo do vídeo, as pessoas que aparecem não são atores, mas são usuários da marca.

Por fim, minha previsão, sem dúvida, é menos catastrófica do que a de alguns, até porque eu nunca me interessei em ter uma Harley zero quilômetros e pouquíssimas vezes precisei da concessionária para solucionar meus problemas. Eu sempre vi essas motos como veículos customizáveis e comprar uma novinha para meter o serrote e deixá-la no meu estilo não iria ser algo tão fácil de se fazer.


Além disso, quero confessar aqui que não sou um "entendedor" da marca e meu foco do jornalismo só foi direcionado para essas motos há poucos anos, o que não me torna nem um estagiário no mundo Harley Davidson. Eu sou só um entusiasta dessas motos desde que eu era garotinho e via "os caras" passando em minha cidade natal a caminho de encontros de motoqueiros em Minas Gerais nos meses de inverno.


De qualquer forma, torçamos para que nossa Brand preferida de motos não acabe tão cedo e que a economia no Brasil melhore nos próximos períodos, para que possamos chegar mais perto do sonho de ter uma Harley Davidson.



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