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Com a cabeça não se brinca

Vamos falar de um tema que não deveria ser polêmico, mas acaba gerando discussões desnecessárias, especialmente entre a galera que pilota motos custom, mas que carrega uma importância crucial para quem se aventura a pilotar um veículo desprovido de capota, como uma motocicleta. Vamos falar de capacetes.


Quando esse que vos escreve começou a andar de moto, tal item de segurança não era obrigatório e era muito comum que, dentro das cidades, pouquíssimas pessoas usassem capacetes para pilotar. Na estrada, ainda se tinha uma consciência acerca da proteção que o item proporcionava. Ainda hoje, em grande parte dos estados que compõem aquela belíssima nação, pátria de nascimento de nossas mais queridas motos, as Harley Davidson, o capacete não é obrigatório, nem mesmo em rodovias, bastando um óculos de proteção. Mas, os acidentes, quando ocorrem, são fatais.


Aliás, em certos rincões do nosso Brasil, não tão distantes de grandes centros, os capacetes também parecem ser algo completamente dispensável para se pilotar motocicletas. Segundo os dados de nossa Secretaria Nacional de Trânsito, nesse mês de outubro de 2021, tínhamos 24.568.159 motos licenciadas no Brasil, o que deve equivaler a uns 20 milhões de capacetes de todos os tipos nas cabeças dos pilotos e suas garupas (já estou descontando os lugares em que capacetes são usados como vasos de plantas).


E, porque estou escrevendo esse texto? Simplesmente porque adquiri mais um desses ítens de proteção para completar a coleção de cascos que tenho em casa, e algumas coisas me vieram à mente antes de comprar um bom capacete.


Quando comecei a andar de Harley, já nos anos 2000, o estilo exigia que eu desse fim em capacetes mais tradicionais, desses que você encontra em qualquer boa butique de coisas pra motos, em busca de um modelo mais «estiloso». Não sei se a culpa disso é aquele capacete de futebol americano usado pelo Jack Nicholson no filme Easy Riders ou qualquer coisa que seja, mas a ideia inverídica é que raramente você cai de cabeça no chão quando está numa moto custom, e a exigência de capacetes com um nível de segurança mais elevado, e portanto, maiores e menos estilosos, deixa de ser um elemento a se considerar.


Deve ser a sensação de vento na cara, o estilo bad biker, contraventor... tudo isso está ligado na escolha do capacete que combine com sua HD. E quanto mais customizada for a moto, parece que menor e mais fino é o capacete. Bom, isso traz consequências não muito bacanas no caso de – Deus nos livre! – ocorrer um acidente, por mais besta que seja.


A escolha do capacete ideal

Deixando de lado o tema polêmico, vamos falar da escolha do capacete ideal. Comecei com um capacete aberto (nunca usei os famigerados coquinhos, aquilo sempre pareceu tosco pra mim) com uma viseira bubble, arredondada, que fazia bem seu papel de proteger meu rosto todo do vento, e só. Se eu metesse a cara em algum lugar, aquilo não me protegeria o queixo.


Então, como eu gosto de falar, e não é pouco, e ainda possuo a maioria dos dentes em minha boca, por usar a moto todos os dias em meio a um trânsito cheio de gente que parece ter a necessidade de tirar o pai da forca, acabei migrando para os capacetes fechados.


Meu primeiro casco fechado foi um Urban Big Bore, daqueles com uma viseira presa por elástico em botões laterais. O capacete é maravilhoso, de verdade, mas a viseira era uma verdadeira encrenca. Usei muito o capacete, inclusive para viagens longas, mas aquela viseira vai arranhando toda vez que você a levanta e, com o tempo, fica frouxa porque o elástico perde todo seu poder de contração. Mas, volto a falar, o capacete em si é realmente bom. Possui um excelente nível de proteção, bloqueia bem os ruídos de vento e é muito confortável mesmo. Além disso, já resolveram o tema da viseira nos novos modelos. Então, se alguém gosta do modelo, vá sem medo.


Depois, comecei a buscar capacetes fechados e estilosos e me deparei com o Bell Bullit (que acho um dos mais bonitos do mercado) e outro, parecido, que é o Lucca Custom Magnum V2, capacete que uso até esse momento. Por razões de preço e pela sempre gentileza da galera da Lucca (os caras são muito bacanas), optei pelo V2. Um excelente capacete, fechado, que cumpre bem 2 requisitos para os amantes da simplicidade das motos custom. Ele protege e é estiloso. Mesmo adquirindo um novo para as filmagens, certamente esse ainda é meu capacete do dia a dia.

Meu muito usado Lucca Magnum V2

Porém, o tempo de uso, as besouradas que você leva na estrada, as quedas involuntárias do capacete apoiado no banco da moto e as gravações dos vídeos do nosso Canal do YouTube (já é inscrito? Não?! Tenha dó! Corre lá!) me fizeram optar pela compra de um capacete novo, «menos» custom. O vento que entra sob o capacete da Lucca incide diretamente no microfone de lapela ligado na GoPro, não importando onde eu o fixe dentro do capacete, e aquele wind noise é impossível de tirar completamente na edição, mesmo com o «gato morto» protegendo o mic.


Então, me dei conta de uma coisa incrível e que não é nenhuma novidade: existe capacete para todos os gostos e bolsos sob o Sol. Tem capacete de tudo quanto é tipo. Coloridos, monocromáticos, com cores combinando ou não, com grafismos mais diversos do que os grafites do Beco do Batman na Vila Madalena e tecnologias mil. Tem capacete que já até vem com câmera, agora.


Que capacete eu preciso?

No meu caso específico, não precisava somente de uma boa proteção para minha linda cabeça, que veio de fábrica guarnecida de um cérebro fabuloso e um rosto divinamente forjado, mas eu precisava de um casco que desse para adaptar a GoPro do lado de fora sem prejuízo da visibilidade e um microfone interno que ficasse longe de qualquer ruído de vento.


Então, busquei um capacete que tivesse essa proteção sob o queixo, como vocês podem ver na foto abaixo. Isso impede que rajadas de vento vindas por baixo, que são muito comuns em motos com carenagem ou bolha como a minha Street Glide, afetem diretamente a captação de áudio. Eu precisava de um capacete bem vedado e isso fez com que eu já eliminasse um monte de outros capacetes fechados mais baratos.

Sobrou para mim, em termos de preço, capacetes mais caros, por conta dessas vedações e, olhando vários modelos, acabei por adquirir um capacete da marca espanhola MT Helmets, modelo Blade 2, no grafismo Oberon.


Na loja do meu amigo Turquinho até tinha um preto fosco que combinaria com a Black Betty, mas acabei optando pelo modelo mais «fantasia», por assim dizer.


O capacete tem um monte de tecnologia embutida, além de um casco resistente e uma sequência de dissipadores de impacto que protegem a linda cabeça de quem o utiliza. Sua viseira possui trava para mantê-la fechada em alta velocidade e ele ainda vem com uma viseira escura por dentro, para os dias de muita luz. Por fim, há tanta espuma moldando o capacete à sua cabeça que encontrei um canto perfeito para «mocozar» o microfoninho, de maneira que nem percebo onde ele está fixado. Agora vou conseguir copiar direitinho o FelipeC do canal Road Garage!


Normas sobre uso de capacete

Muita gente fala um monte de coisa sobre o tipo de capacete que pode ser usado nas diversas situações, mas na verdade a regra é muito clara, ainda que eu já tenha visto até policiais rodoviários desconhecerem os pormenores dela.


A legislação nacional estabelece que é obrigatório o uso de capacete para pilotar motocicletas. Além disso, os capacetes precisam ser aprovados pelo INMETRO, que é o órgão responsável por descer o cacete nos produtos pra ver o quanto eles suportam de porrada. As próprias normas do INMETRO e dos órgãos de trânsito estabelecem que o capacete tem que cobrir toda caixa craniana, por assim dizer, de uma maneira simples. Assim sendo, «coquinho» está fora dessa conversa. Além de ridículo, não pode usar, OK? Não vamos mais falar disso?!


Por outro lado, a lei não fala se o capacete tem que ser aberto, fechado, escamoteável, preto, branco, colorido, etc. O que a lei fala é que, no caso do capacete não ter viseira, é obrigatório o uso de óculos de proteção, daquele tipo de Motocross. ÓCULOS DE PROTEÇÃO, não Rayban, nem Amber Vision.


Não existe na lei essa história de que «na estrada é obrigatório o uso de capacete fechado» e «capacete aberto só pode usar na cidade». Capacete, aprovado pelo INMETRO, aberto ou fechado, pode ser usado na estrada, na cidade, na roça, na Wall of Death ou onde quer que seja.


Ah! E antes que me esqueça, não pode andar com viseira aberta ou, no caso dos óculos de proteção, eles não podem estar «fora do zóio», senão tem multa. Bom, essa multa já não é mais tão grave quanto antes, que era semelhante a estar sem capacete, mas ainda existe e dói no bolso e no prontuário. Além disso, o risco de você tomar uma abelhada na cara é grande. Eu já tomei uma abelhada com capacete aberto, no pescoço e posso dizer que não é nem um pouco agradável.





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