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Cinco dicas para escolher a primeira moto

Muitas pessoas me perguntam, de verdade, de diversas maneiras, qual seria a moto ideal para começar a vida em duas rodas, e eu sempre procuro responder tentando descobrir que tipo de uso o cidadão vai dar para a moto, para eu poder indicar aquilo que seria mais apropriado, então, resolvi deixar aqui cinco dicas preciosas para você escolher sua primeira moto.


Harleys estacionadas em rua, com texto sobreposto

Mas, antes de irmos diretamente para as dicas, preciso deixar bem claro que este texto não vai esgotar o assunto e nem vai te indicar exatamente qual moto você deve comprar para começar sua jornada no veículo mais incrível do mundo (é, eu gosto muito mais de moto do que de qualquer outro veículo).


Portanto, esclarecido isso, vamos lá!


Cinco dicas para escolher a primeira moto


Dica 1: Avalie suas necessidades e habilidades


Eu tenho um amigo que, como primeira moto, comprou uma Harley Davidson Breakout, antes mesmo de ser habilitado. Mas, de certa forma, ele já tinha aprendido a andar de moto em sua juventude e tinha compleição física para segurar uma das motos mais pesadas e agressivas do mercado.


Também tenho uma amiga que não queria andar em outra moto que não fosse uma Harley – era um sonho – e a ajudamos a encontrar uma Sportster 883 que se encaixava em seu perfil. Mas isso não é tão comum para quem está iniciando.


Geralmente, recomendo ao piloto de primeira viagem que, antes de mais nada, responda a si mesmo algumas perguntas:

  • O que quero fazer com minha moto? Vou viajar só em estradas asfaltadas? Quero encarar aventuras em estradas de terra? Vou rodar somente no trânsito da cidade?

  • Tenho físico – muque! – para segurar uma moto mais pesada?

  • Já aprendi a pilotar ou ainda terei minha primeira experiência com uma moto?

Só ao responder essas perguntas, você já começa a definir que tipo de moto vai querer.


Se você é alguém que quer viajar longas distâncias de moto, certamente vai se adaptar melhor em uma custom, uma estradeira; se você pretende pegar estradas de terra e explorar a natureza, terá que buscar uma adventurer, uma trail. Se deseja velocidade, uma superbike, e assim por diante.

Himalayans em pista de terra na Rota da Luz
Estradas off roads exigem uma moto mais apropriada. Foto: ©José Caetano

Quanto ao físico e a experiência de pilotagem, isso é o que irá definir o tamanho de sua moto e qual sua cilindrada. Pois, especialmente no começo da vida de pilotagem, você vai derrubar a moto (é inevitável) e, muitas vezes, você estará sozinho para levantá-la. E uma moto com mais cilindradas precisará de um maior controle de aceleração e frenagem, que exigem mais tempo de pilotagem para dominar a moto.


Pilotagem de moto é memória muscular: basta aprender certo e depois repetir, repetir e repetir, até fazer tudo automaticamente.


Dica 2: escolha uma moto que caiba no seu bolso


Parece até uma dica óbvia, mas não é tanto assim. Já vi muita gente comprando motos cujo preço do veículo se encaixava no orçamento, mas que o custo de manutenção acabou por destruir o sonho. E aqui eu não estou falando de marcas de moto, pois tudo pode variar.


Por exemplo, hoje, enquanto estou escrevendo este artigo, manter uma Harley Davidson da primeira década do atual milênio, acaba sendo mais barato que manter uma Honda mais parruda no Brasil. Como a Honda vende muito mais motos de baixa cilindrada e scooters, você só vai achar peças para essas motos no mercado, enquanto que, para uma Harley Davidson, seja ela qual for, você encontra não só peças originais, como também peças paralelas novas, muito boas, no mercado nacional.


Atente para algo importante: a moto não vai custar só o preço dela. Isso é só o começo. Ela vai gerar constantemente um custo de manutenção ao longo do tempo. E aí entra uma regra que não costuma falhar, ou seja, quanto mais velha a moto (e, em tese, mais barata), maior o custo de manutenção.


Dica 3: Pesquise


Antes de tomar uma decisão, pesquise amplamente as opções disponíveis no mercado. Leia avaliações, visite concessionárias, e converse com outros motociclistas para obter insights valiosos. Além disso, verifique se a moto que você está considerando tem um histórico de confiabilidade e durabilidade.


Harley Davidson Sportster 883 Low customizada
Lupita, minha Sportster 883 Low

Quando fui comprar minha primeira Harley, por exemplo, pesquisei por 3 ou 4 meses até achar a “Lupita”, minha Sportster 883 Low. Para comprar a Royal Enfield Himalayan, foram mais de 2 anos de pesquisa, ouvindo os proprietários, lendo blogs, sites, assistindo horas de vídeo no Youtube. Comprei sabendo o que estava comprando e não me arrependo.


Mas, minha primeira custom foi uma Yamaha Virago 250 que só me trouxe alegria. Não tenho uma memória ruim dela. Era velha, exigiu bastante manutenção, mas cabia no meu orçamento e paciência.


Dica 4: Segurança


Cada tipo de moto exige um tipo de equipamento de segurança. Isso é perceptível quando você chega domingo nesses restaurantes de estrada que reúnem todas as tribos de duas rodas. A galera das motos de velocidade, com aqueles macacões estranhos, nos lembra que um tombo pode arrancar sua pele, dependendo de quão rápido você anda.


O pessoal das Harleys, sempre com suas jaquetas de couro grosso, coletes e calças jeans robustas, também nos mostram que grau de proteção você precisa. O povo aventureiro, geralmente com roupas impermeáveis que os permite atravessar a lama, os riachos e se aventurar na natureza, enfim, todos com seus equipamentos.


Lembre-se que, ao comprar uma moto, você também precisa investir em um bom capacete, luvas, botas e mais o que for necessário para sobreviver a um acidente. Não brinque com isso e, geralmente, o estilo está inversamente proporcional à segurança e conforto, com algumas pouquíssimas exceções, claro.


Dica 5: Pilote


Antes de comprar sua moto, veja se você consegue fazer um test ride nela ou em algum modelo parecido. Quase sempre, aquilo que imaginamos não tem nenhuma relação com a realidade. É preciso sentir, de verdade, para poder conhecer realmente sua moto. Tem muita gente que compra a moto pelo estilo, mas não se adapta a ela e nem ao ambiente que a cerca. Sim, cada tipo de moto tem um ecossistema de pilotos que são aficionados.


Eu costumo dizer que tem muita gente que compra o ingresso, porque a galera toda está indo pro show, mas, na verdade, não gosta da banda. E, às vezes, nunca ouviu uma música sequer. Portanto, experimente a moto e experimente o povo que anda com aquela moto. Saiba cantar a música daquela banda.


Conclusão


Já dizia o elfo Gildor à Frodo, na saga de Tolkien, Senhor dos Anéis, que “um conselho é uma dádiva perigosa, mesmo dos sábios para os sábios”. Portanto, essas dicas não são conselhos, são apenas percepções que eu mesmo tive ao longo dos anos que tenho moto.


Por exemplo, eu comprei uma 883 Low para iniciar minha vida na Harley, mas eu tinha habilidade e tamanho para uma Harley maior e, dois anos depois de muita dor nas costas e passar perrengue em viagens longas com amigos de motos maiores e, portanto, com mais autonomia, acabei trocando a moto por uma Dyna que logo virou uma Street Glide. Poderia ter cortado caminho.


Contudo, uma Harley grande como a que tenho, me deixa a vida na cidade mais incômoda, o que me fez adquirir uma moto menor para os deslocamentos mais curtos e, por isso, já fui pra Royal Enfield Himalayan, que é mais leve, mais alta, mais econômica e me permite tanto uma maior manobrabilidade na cidade, como me abriu o mundo das estradas de terra.


Ah! Eu quase me esqueci, mas a minha primeira moto depois de casado foi um scooter Daelim, há época importado, e os scooters são motocicletas muito especiais, capazes de maravilhas impensáveis e que existem aos milhares de modelos e tamanhos. Basta ver a Itália, onde eles são os donos das ruas e estradas.






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