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Rodar de moto no frio

O inverno está às nossas portas, mas esse outono já garantiu um recorde de baixas temperaturas esse ano, especialmente à noite e ao amanhecer, fazendo com que os mais corajosos bikers pensassem duas vezes antes de sair pra rodar de moto no frio.


A verdade é que aqui no hemisfério sul, especialmente no Brasil, essa época do ano é a mais favorável para os rolês de moto, diferentemente da galera do hemisfério norte que tem que encarar a pista escorregadia por conta da neve e do gelo no inverno deles.


Aqui, no inverno, até as chuvas são escassas, o que garante muitos rolês agradáveis nessa estação do ano, mas daí tem outro probleminha: o frio.

FKPS Moto Camping em 2018

A verdade é que, não sei se é culpa da idade ou realmente temos tido temperaturas mais baixas no Brasil nos últimos tempos, porque não me lembro de congelar tanto assim nas pistas antes da pandemia. Teve só uma vez, acho que em 2016, que ao me dirigir ao trabalho, peguei um frio bem próximo do zero sobre uma ponte que cruzava o Rio Paraíba do Sul, chegando a formar pequeninos cristais de gelo na viseira do capacete e nas luvas, mas foi algo instantâneo, por volta das 6h da manhã, somente em cima do rio.


No mais, o frio mais intenso que já rodei foi na ida para o Tiradentes Bike Fest em 2017, em que pegamos 5ºC na região de Passa Quatro, na Serra da Mantiqueira, às 7h30 da manhã. Devidamente registrado em vídeo, muito antes de eu pensar em criar o Portal Gasolina. Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=ayYACTjF6gc&t=9s


Mas, o que importa é, qual é o verdadeiro segredo para se rodar no frio? Existe algum macete? Tomar um conhaque para esquentar as entranhas não vale, pois além de infringir o Código de Trânsito, é algo de extremo perigo para sua vida e para a dos outros motoristas e pilotos que cruzam seu caminho.


Aliás, eu me recordo que, justamente por causa da friaca em cima do Rio Paraíba, ao meio dia eu saí do trabalho e fui direto para uma loja da Apinestar aqui perto comprar a luva mais cara que já comprei na minha vida. Impulso ocasionado pela dor nos dedos sentida horas antes. Mas, a luva é boa e a tenho até hoje. Impermeável, com forro, proteções e até um adereço na mão esquerda que faz as vezes de limpador de viseira na chuva.


Mas, a luva é só o começo da indumentária do frio. O lance é que, diferentemente dos carros, na moto você está completamente exposto ao clima, o que é muito bacana, mas pode ser o ponto mais fraco de sua viagem. O frio desconcentra a pilotagem e os riscos da hipotermia são reais – pelo menos de uma forte gripe.


Vestindo-se para o frio


Qual é a receita básica que eu, José Caetano, uso para pilotar no frio hoje? Antes de mais nada, segunda pele – calça e blusa – para garantir uma camada climatizada próxima ao corpo. Depois, uma calça de jeans grosso e meias grossas. Botas ou calçados impermeáveis são uma excelente escolha. Eu não utilizo nenhuma marca específica para andar de motos. Simplesmente uso uma bota dessas de esportes de aventura que é impermeável e grossa.


No tórax, parte mais sensível ao frio, por cima da segunda pele, uma blusa fina, no caso uma boa flanela xadrez da FKPS Custom e uma jaqueta de couro. Agora eu também tenho uma jaqueta impermeável que comprei da Royal Enfield que é muito legal, pois ela já tem mais dois forros, o que dispensa a blusa por cima da segunda pele, a não ser que você realmente queira enfrentar friacas abaixo de zero.


Bandanas ainda são mais especiais quando você está em altitudes jamais sonhadas pelo homem

No pescoço e cabeça, fundamental o uso de uma boa bandana ou até mesmo uma balaclava (eu tenho uma que pertencia a um fuzileiro naval norteamericano que é bem térmica). E, claro, capacete fechado. Não dá pra bancar o galã motoqueiro malvadão no frio, isso só vai ferrar seu passeio.


Tá, mas eu não tenho tudo isso, ou então, fui pego pela friaca não prevista. Bom, aí é hora de recorrer às gambiarras. Uma delas, que funciona muito bem, mas que hoje é quase que impossível de se achar, é o jornal. Utilize páginas de jornal entre as suas camadas de roupa, fazendo um estofamento isolante e seja feliz. Vai ficar fedendo jornal? Vai! Vai ficar manchado de tinta? Vai! Mas, pelo menos, não vai congelar.


Meu amigo, Fábio Meireles, harleyro há um bom tempo e veterinário, me deu uma dica muito boa uma vez, no caso de você só ter luva fina, de couro ou que não seja impermeável. Utilizar luvas de látex, dessas de procedimento cirúrgico, que você encontra em qualquer farmácia, por baixo das luvas normais. Aquece e ainda não deixa entrar água na sua mão.


Capacete


O frio também causa outro fenômeno irritante, que é o embaçamento da viseira do capacete. Aí as receitas são diversas. Em primeiro lugar, você encontra no mercado, especialmente em óticas, líquidos de limpeza para óculos que são anti-fog, isto é, anti-embaçamento. Eles são baratos e são ótimos.


Para alguns capacetes, você também consegue comprar uma película que é fixada junto à viseira que também não permite que ele embace, a famosa pinlock. Mas, fora isso, existem ajustes técnicos que podem ser usados nas emergências. Como já havíamos mencionado num episódio do nosso Podcast falando sobre dirigir na chuva, o extinto Shell Responde dizia que se poderia usar tabaco para aplacar o embaçado do pára-brisas. Se você não se incomoda com o delicioso cheiro do tabaco cru, pode ser uma solução debulhar um Minister e esfregar o tabaco dentro da viseira. Vai ficar cheirando tabaco? Óbvio que vai! Mas não vai embaçar, segundo o primeiro fascículo do Shell Responde. (https://www.portalgasolina.com/podcast/episode/2134c58b/chove-chuva)


Bateria descarregada


Outro inconveniente que acomete metade dos motoqueiros de final de semana é a descarga da bateria. Elas perdem carga em temperaturas baixas e qual não é a surpresa do piloto quando, ao amanhecer, já todo paramentado, ao tentar ligar sua moto, se depara com a bateria descarregada?! No frio, os famosos carregadores e mantenedores de bateria são convidados a participar da festa e as motos, tal como um bom iPhone, acabam ficando plugadas na tomada como se fossem motos elétricas.


E não adianta colocar borrachinha embaixo do pesinho da moto, cobertor por cima, ou rodar no quarteirão de sua casa para "dar carga" na bateria. O frio faz ela descarregar mesmo. Nas baterias comuns, a energia elétrica é mantida por um processo químico e a temperatura é uma variável que deve ser considerada no pacote.


Conclusão


O importante é que pilotar uma moto no inverno, aqui no hemisfério sul, especialmente no Brasil, é garantia de céu azul na maior parte dos dias e cores incríveis no pôr do sol, e toda friaca vale a pena pelo visual das estradas.


Portanto, proteja-se bem e aproveite essa temporada maravilhosa para passear, porque, quando chegar a primavera, com ela também vêm as chuvas e, pior do que rodar no frio é rodar molhado e com pista escorregadia. Além disso, nossas motos, especialmente as Harleys refrigeradas a ar, agradecem imensamente esse clima mais frio, que ajuda a manter a temperatura do motor em dia.




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