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Royal Enfield no EICMA 2026: Himalayan 750 é lançada e Continental GT 750 revela a nova café racer da marca

há 9 minutos
5 min de leitura

A Royal Enfield escolheu o EICMA 2026, em Milão, para responder a uma pergunta que acompanhava a marca há anos: até onde ela está disposta a crescer sem abandonar o território que a reconstruiu. A resposta veio em três movimentos — a Himalayan 750, lançada oficialmente; a Continental GT 750, revelada como a nova café racer da fabricante; e a Flying Flea S6, uma scrambler elétrica que antecipa o próximo capítulo da marca.


Para quem acompanha a Royal Enfield de perto, a Himalayan 750 é o lançamento mais importante. Não porque seja a moto mais rápida ou sofisticada do salão, mas porque ela finalmente amplia a família Himalayan para um território diferente: o das viagens longas, com garupa, bagagem e estradas de terra no ritmo do turismo.


Royal Enfield Himalayan 750

Himalayan 750: a big trail da Royal Enfield


A Himalayan 750 é a primeira Royal Enfield de 750 cc da história. Ela usa um bicilíndrico paralelo de 743 cc, arrefecido a ar e óleo, que entrega 63 Nm de torque a 5.000 rpm. A marca destaca que 90% desse torque já está disponível a partir de 3.500 rpm — um dado que diz mais sobre o uso real da moto do que qualquer número de potência isolado.


A expectativa no Brasil já apontava para esse posicionamento. Em entrevista ao Portal Gasolina durante o Festival Interlagos, Flávio Bressan, um dos pioneiros ao utilizar a marca no Brasil depois de sua vinda oficial, avaliou que a Himalayan 750 seria uma moto pesada, com vocação prioritária para o asfalto ainda que encare sem problemas a terra — mais próxima da proposta de uma Suzuki V-Strom do que de uma trail leve. Uma moto para levar garupa e bagagem em viagens longas, como Atacama ou Ushuaia, sem a pegada off-road mais forte que continua sendo território da Himalayan 450.


Flávio Bressan e José Caetano no Festival Interlagos 2026
Flávio Bressan fala sobre a Himalayan 750 no Festival Interlagos de 2026 (foto: Cássio Pinhal/Portal Gasolina)

O EICMA confirmou parte dessa leitura. A nova Himalayan cresceu em tecnologia, capacidade de carga e equipamentos de viagem, mas mantém suspensão de longo curso e rodas 19/17 — uma big trail com aptidão para estradas de terra, não uma moto de trilha radical.


A suspensão dianteira é uma Showa USD de 43 mm, com 190 mm de curso; atrás, o monoshock oferece 175 mm. As rodas são 19 polegadas na frente e 17 atrás, tubeless, com opção entre liga leve e raiadas.


A parte eletrônica também dá um salto. A Himalayan 750 traz IMU de seis eixos, ABS em curva, controle de tração sensível à inclinação, cruise control, TPMS e cinco modos de pilotagem: Road, Road Sport, Rain, Trail e Custom. O banco fica a 815 mm do chão, o tanque comporta 17 litros e a capacidade de carga é de 195 kg.


Na Europa, as reservas começaram nesta terça-feira, 3 de novembro. A versão com rodas de liga, na cor Aztec Green, parte de € 7.390. A configuração com rodas raiadas, Viking Bronze ou Siberia White, custa € 7.790. A versão Flagship Antarctic Silver, voltada a viagens, chega a € 9.290 e inclui malas Givi, aquecimento de manoplas, protetor de cárter e outros equipamentos.


A Royal Enfield confirmou que a Himalayan 750 chegará ao Brasil, mas ainda não divulgou preço nem data de lançamento por aqui.


nova Royal Enfield Himalayan 750

Continental GT 750: a nova café racer


A segunda novidade é a Continental GT 750, a nova café racer da Royal Enfield, revelada no EICMA como a moto de produção mais rápida e potente da marca até hoje.


O que se sabe até agora é que ela usa uma versão mais preparada do mesmo bicilíndrico de 743 cc da Himalayan 750. A Continental GT 750 aparece em três cores e duas configurações.


Royal Enfield Continental GT 750

A Red Line e a TT Blue trazem meia carenagem, rabeta com placas laterais de corrida e posição de pilotagem mais esportiva, com guidão mais baixo. A Master Clean, sem carenagem, adota rodas raiadas, guidão um pouco mais alto e ergonomia mais confortável. As versões carenadas também usam rodas raiadas, enquanto a TT Blue recebe rodas de liga com pneus tubeless.


As três versões têm rodas de 18 polegadas, banco em peça única para piloto e garupa e uma rabeta removível sobre a parte traseira do assento. O painel é um TFT híbrido de dois mostradores, que procura preservar a leitura analógica característica das café racers da marca sem abrir mão das informações modernas.


Se a Himalayan 750 amplia o alcance da Royal Enfield, a Continental GT 750 fortalece o território em que a marca sempre esteve mais confortável: o das motos com identidade visual forte, mecânica acessível e apelo emocional. A pergunta que fica é se o novo motor conseguirá dar à GT 750 o mesmo caráter que fez da GT 650 uma das motos mais queridas do segmento.


Flying Flea S6: a elétrica que quer sair do asfalto


A Flying Flea S6 é o terceiro lançamento e o mais diferente de todos. Derivada da plataforma da C6, é uma scrambler elétrica pensada para uso urbano e para estradas de terra leves. A Royal Enfield anuncia motor de alto torque, banco enduro, protetores de mão, pneus off-road e um modo off-road exclusivo.


Royal Enfield Flying Flea S6

O lançamento está previsto para o verão de 2027 no hemisfério norte. As cores anunciadas são Dart Yellow e Lightning Grey.


A S6 não deve ser lida como substituta das motos à combustão da marca. Ela é um experimento de posicionamento: a Royal Enfield testando se consegue levar para o mundo elétrico a mesma linguagem de simplicidade, uso cotidiano e prazer de pilotar que sustenta seus modelos à gasolina.


Shotgun 650 “Son of a Gun”: 100 unidades no mundo


Em parceria com a Deus Ex Machina, a Royal Enfield também apresentou uma edição especial da Shotgun 650, batizada de “Son of a Gun”. A custom recebe pintura em vermelho profundo, creme e dourado, e será produzida em apenas 100 unidades no mundo, no ano que vem. Cada moto acompanha uma jaqueta exclusiva da colaboração.


É uma peça de colecionador, não uma novidade de linha. Mas mostra como a Royal Enfield continua usando a customização como parte central da sua identidade — algo que a marca aprendeu bem com a própria Shotgun 650.


Royal Enfield no EICMA 2026: O que esses lançamentos significam


A Royal Enfield chegou ao EICMA 2026 com uma mensagem coerente. A Himalayan 750 mostra que a marca quer competir no segmento das big trails acessíveis, com foco em viagem, torque e uso misto. A Continental GT 750 indica que a linha GT não vai parar na 650. A Flying Flea S6 antecipa o futuro elétrico sem abandonar a estética e o espírito da marca.


Para o mercado brasileiro, a Himalayan 750 é a notícia com maior impacto imediato. Ela entra em um território disputado por motos como a Honda Transalp, a Yamaha Tenere 700 e a Triumph Tiger Sport 660 — mas com uma proposta diferente: menos foco em desempenho absoluto, mais foco em torque acessível, simplicidade mecânica e capacidade de viajar.


A Continental GT 750, por sua vez, é a moto que deve despertar mais desejo entre quem valoriza o lado emocional do motociclismo, o que levanta uma grande possibilidade dela vir parar na garagem do Portal Gasolina. Falta saber quanto custará e como o novo motor se comporta na estrada. Até lá, a Royal Enfield deixou o EICMA com uma certeza: a era dos 650 cc como teto da marca chegou ao fim.


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