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Primeiro Himalayan Camp do Vale do Paraíba

Uma das motos mais divertidas que já foram inventadas nos últimos tempos acabou gerando uma aventura que pode ser que acabe virando tradição nos picos da Serra da Mantiqueira. A noite de sexta dia 15/07 para o sábado, dia 16, foi marcada por um verdadeiro enxame de Royal Enfields Himalayan subindo os 1870m do Pico do Diamante, que fica no limite entre Pindamonhangaba e Campos do Jordão, na região do Vale do Paraíba.


A contaminação


Antes de mais nada, é preciso explicar que há uma certa epidemia do bem aqui na região quando o assunto é a Himalayan. Não só eu, mas outros 5 ou 6 caras que já pilotam Harley Davidson ou mesmo grandes motos Big Trail acabaram por ser contaminados com o vírus dessa adventure de média cilindrada com cara de moto antiga e não tão boa fama advinda de erros da fábrica há época de sua chegada ao Brasil.

As 5 Himalayans no ponto de encontro em Tremembé, SP

A nossa «Imbalaia», vocês que assistem o canal de YouTube ou seguem as mídias sociais do Portal Gasolina já conhecem. Uma Himalayan 2019, branquinha, comprada usada na concessionária, mas com pouquíssimos quilômetros rodados e com uma vida tranquila por ter servido a seu primeiro dono somente em trajetos urbanos.


O desafio


Acontece que nossa moto foi desafiada por duas colegas mais jovens – duas Himalayans 2022 – a passar a noite em um dos picos com a vista mais bonita dessa região da Serra da Mantiqueira, próxima a Campos do Jordão.


Nosso colunista aqui do site, o Rico Camacho, do Venha e Descubra, recém contaminado com o vírus da diversão dessas motos anglo-indianas, junto de seu colega de armas, Assis, nos desafiaram para fazer o primeiro Himalayan Camp do Vale do Paraíba.


Como nenhum caipira resiste a um desafio, claro que aceitei na hora, sem nem pensar na logística e no fato de ter acampado só duas vezes na vida e em campings com total infra-estrutura, o que não era a realidade do Pico do Diamante, que apesar da presença do Sr. Chico, zelador das antenas de transmissão que existem no local, não dispõe de nenhuma construção voltada para visitantes. Nadica de nada! Ali é natureza pura, quase intocada.


O enxame indiano e a subida


Como desgraça pouca é bobagem e os amigos estão aí para entrar na fila vergonha e não nos deixarem passar perrengues sozinhos, mais duas motos idênticas se juntaram à trupe, criando um verdadeiro enxame de Royal Enfields Himalayan com a infeliz ideia de passar uma madrugada inteira de inverno num pico bem alto, expostos ao vento e ao que viesse.

Este que vos escreve na companhia de Cássio, Júlio César e Assis

O mais antigo proprietário de Himalayans entre nós, Júlio César, e o mais experiente piloto de off road dessa gangue, Cássio Pinhal, entraram pro time de "aventureiros". Pronto, a expedição estava criada com dois pilotos de caça da FAB, um jornalista e dois advogados.


Dividida a carga entre as mulas mecânicas, hora de pegar a Floriano Rodrigues rumo à estrada do Gavião Gonzaga, que abriria o caminho de terra até a nossa cordilheira do Himalaia particular, com alguns milhares de metros a menos, claro, mas nem por isso, tão baixa.


Para alguém que pilota motos custom há mais de 10 anos e já subiu a serra de Campos do Jordão incontáveis vezes com vários espécimes de Harley Davidson, sentir como a Himalayan se porta nas curvas foi algo surpreendente. A moto é muito boa no asfalto também e, ainda que suas 411cc não ajudem muito na velocidade final, ela tem uma desenvoltura muito boa, mesmo na rodovia.


Entrando na terra, é como eu sempre digo, é onde essa motoca mostra suas melhores qualidades. Ela tem torque e uma suspensão excelente e, com os pneus certos, ela rodou muito tranquilamente pela estrada de terra seca, com trechos de subida bem íngreme e com pedras soltas. Alguns pedaços estavam até com uma terrinha fininha e fofa, nos forçando a manter o motor cheio e uma velocidade um pouco mais alta para não "atolar".


As "reboladas" foram inevitáveis, mas diferentemente da Harley, a sensação não é de desequilíbrio, mas sim de que a moto deve fazer aquilo mesmo. Em nenhum momento, tanto da subida, quanto da volta, quando tudo virou descida íngreme, senti que a moto perderia o equilíbrio ou iria cair.


O Acampamento


Apesar de sairmos tarde do ponto de encontro em Tremembé, chegamos com tempo hábil e com luz suficiente para montarmos as barracas naquele pico que só tem uma gramínea baixa e quase nenhuma proteção contra o vento.

Nossa expedição chega a tempo de montar as barracas com um pouco de luz no Pico do Diamante

O começo da noite foi bem suportável, com um frio que se rendeu fácil à fogueira extremamente segura que fizemos para assar o churrasco do jantar (levamos tudo o que foi necessário para não deixar nem um pozinho de cinza sobre o pico) e aos tragos de Jack Daniels. Vista incrível de quase todo o Vale do Paraíba e do nascer da Lua, hora de entrar na barraca pra dormir.


Três da manhã e tomo uma "abarjuzada" na cabeça e acordo com a barraca quase se fechando em cima de mim. Aquelas lamparinas à pilha que são penduradas no teto da barraca foi atirada no meu cocuruto. E até o cérebro captar que não era alguma zoeira de alguém da expedição, demorei um pouco para perceber que se tratava do vento… forte… vendaval… vento ventania, me leve sem destino...


Aquele bendito furacão (tá bom! Exagerei) ficou no modo ON a partir das 3h até a hora que fomos embora, aumentando a sensação de frio para níveis próximos do irritável, mas não nos impediu de contemplar o nascer do sol na direção do Pico do Itapeva, montanha vizinha à nossa e só 64m mais alta.

Portanto, como o vento não deu folga mais, juntamos os trapos, recolhemos todo o lixo e nos empenhamos na descida. Como a distância era pequena, melhor tomar café da manhã em casa mesmo e escutar os reclames da esposa porque o marido foi acampar num lugar desolado, sem infra-estrutura e, pior, sem sinal de celular direito. Sei lá, vai que um "urso cinzento da Mantiqueira" resolvesse atacar o acampamento…


Impressões sobre a Himalayan


Mais uma vez tenho que confessar que essa motoquinha tem me surpreendido para o bem a cada aventura nova. Talvez porque ela seja sincera e realmente não prometa muito mesmo, a não ser o preço baixo e a garantia de certa robustez, capaz de subir até a cordilheira do Himalaia e, já que não temos tal altitude em terras brasileiras, nos aventuramos pela Mantiqueira, o que não deve exigir muito da moto preparada para os picos asiáticos.


Ela subiu bem carregada, pois, além do piloto com seus 94kg, ela ainda levou no lombo um pacote de lenha para a fogueira, barraca, saco de dormir, isolante térmico, água, Jack Daniel's, e mais um monte de apetrechos para o camping, e suas colegas também estavam bem carregadas.


As motos foram sem nenhum problema e, por sua altura mediana e seu porte mais leve que uma adventure de maior cilindrada, acabam se tornando motos fáceis de se manejar, mesmo em estradinhas cheias de pedras soltas, valetas, areia e angulações complicadas.



Vai ter repeteco?


Agora, se o Himalayan Camp do Vale do Paraíba vai ter reprise? Isso só depende da marca realmente emplacar na região e a legião de contaminados pelo vírus dessa moto divertida começar a aumentar. No que depender de nós, sem dúvida iremos buscar outros lugares para enfiar nossas motos em enrascadas. Vai que a Royal Enfield queira patrocinar o próximo?!


E se você ainda não assistiu ao vídeo com nossa aventura, em nosso canal do YouTube. Assista aqui e não deixe de se inscrever no canal:

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