Triumph Originals 2026 volta com a Scrambler como protagonista
- José Caetano

- 8 de jun.
- 3 min de leitura
A Triumph confirmou o retorno do Triumph Originals em 2026, desta vez com a Scrambler como base do desafio. O tema da edição é “Time Capsule”, e a proposta é simples: cada equipe deve reinterpretar uma era marcante da história do modelo com uma customização original.

Sete países participam da disputa neste ano: Reino Unido, Estados Unidos, Espanha, França, Itália, China e Canadá. Cada equipe trabalha ao lado de uma oficina custom local para desenvolver uma moto inédita, inspirada em uma década ou momento específico da trajetória da Scrambler.
A dinâmica segue com apresentação dos projetos ao longo do verão no Hemisfério Norte. Depois disso, as motos passam por avaliação de um júri formado por nomes ligados ao design e à cultura, antes de seguirem para voto popular. O vencedor será anunciado no outono de 2026.
A escolha da Scrambler não é casual. O modelo nasceu ligado à cultura da adaptação, quando motociclistas passaram a modificar motos de rua para ampliar a capacidade fora do asfalto, com pneus mais agressivos, guidão mais largo e escapamento alto. Foi dessa lógica que surgiram as chamadas desert sleds, que ajudaram a construir a imagem da Scrambler ao longo das décadas.
Na prática, a Triumph usa o concurso para conectar história e produto. Hoje, a linha Scrambler inclui as versões 400 X, 400 XC, 900, 1200 X e 1200 XE, mantendo a mesma ideia de uma moto com apelo visual clássico e uso versátil. É uma família que segue próxima da customização, tanto no desenho quanto no posicionamento de mercado.
O tema “Time Capsule” também ajuda a explicar a escolha. A marca quer que cada equipe escolha um recorte de época e o traduza em uma moto com identidade própria, sem se limitar a um exercício de estilo. Isso dá ao projeto uma leitura mais ampla, porque a competição passa a envolver memória, linguagem visual e interpretação histórica.
Paul Stroud, Chief Commercial Officer da Triumph, destacou que a Scrambler tem um legado raro, capaz de atravessar a cultura popular e o universo das competições, das desert sleds dos anos 1950 ao cinema atual (Daniel Craig pilotou uma Scrambler 1200 XE no filme 007 - Sem Tempo para Morrer). Segundo ele, a própria história do modelo nasceu da personalização feita pelos proprietários, e essa mesma lógica ainda está no coração da família Scrambler.
O peso do Brasil
Em 2025, o Brasil venceu o Triumph Originals com a Gaijin, uma Speed Twin 1200 criada pela Shibuya Garage, de São Paulo, e assinada por Teydi Deguchi. A moto conquistou o título global ao combinar precisão artesanal, inspiração nas café racers e uma leitura sofisticada da identidade brasileira.
Esse precedente ajuda a entender por que o Triumph Originals já merece atenção por aqui. Além de reforçar a presença do Brasil na cena custom internacional, a vitória da Shibuya Garage mostra que o país não entrou na disputa apenas como figurante, mas como protagonista capaz de competir em nível técnico e estético com oficinas de vários continentes.

O que esperar agora
O link dedicado ao projeto no site da Triumph reúne entrevistas com os construtores, fotos e bastidores de cada projeto, permitindo acompanhar a evolução das motos ao longo dos próximos meses. A própria estratégia da marca sugere que o Triumph Originals não é apenas um simples concurso, mas uma vitrine global para a criatividade aplicada ao universo das clássicas modernas.
A Triumph acertou ao nomear o tema como “Time Capsule”. A expressão resume bem o espírito da competição: olhar para trás e reinterpretar a história com inovação de design, técnica e personalidade. É esse tipo de exercício que mantém a Scrambler relevante, tanto para a marca quanto para a cultura das mortos.



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