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Tiradentes Bike Fest: o evento é incrível, mas a estrada podia melhorar

Mais um mês de junho se acaba e nós colocamos outro Tiradentes Bike Fest em nosso score, desde nossa primeira viagem até lá em 2017 e, como não é diferente, este é mais um ano que vamos reclamar das condições das rodovias em alguns trechos.


Antes de começar nossa litania querelante, vamos falar da parte boa. Acredito que não haja evento de motos no Brasil que se compare ao Tiradentes Bike Fest em todos os seus detalhes, ainda que cada um tenha seu atrativo. Começa pela cidade, que é realmente maravilhosa, com um peso histórico incomensurável e com uma população incrivelmente acolhedora, que faz da viagem até lá um prazer único.


Largo das Forras em Tiradentes, MG
Motos reunidas no Largo das Forras

Desde 2017 fizemos amigos por lá, no comércio, nas pousadas, na rua e, agora, ir para lá pelo menos uma vez por ano, para revê-los, acaba sendo uma necessidade. O mojito do Everton, na Taberna Tiradentes, é único e nada melhor do que ficar ali, sentado ao lado da fogueirinha nas noites frias de junho.


Ainda mais esse ano, que fui muito bem acompanhado pela minha garupa preferida que, pela primeira vez, conseguiu enfrentar os mais de 700 km de viagem (ida e volta), sem sofrer demasiadamente. E olha que a jornada, seguindo os passos do Bandeirante Tomé Portes Del Rei, fundador da cidade, não é fácil, e ainda paramos em Baependi, para uma visita a nossa amiga no céu, a Beata Nhá Chica.


Esquife com as relíquias da Beata Nhá Chica, em Baependi, MG.
Esquife com as relíquias da Beata Nhá Chica, em Baependi, MG.

E, já que estávamos em casal, resolvemos fazer um novo amigo e fomos recebidos pelo Gustavo, nos Chalés de São José, onde terminamos as noites tomando um vinho e comendo um queijo mineiro. Uma boa opção para casais e grupos de casais que estejam indo juntos para a charmosa cidade mineira e queiram uma casinha só sua durante os dias do evento.


Harley Davidson Street Glide estacionada
Nossa Street Glide, Black Betty, descansando no ambiente agradável dos Chalés de S. José

O Bike Fest


O encontro de motos é um capítulo à parte. Ver tantas motos reunidas naquela pequena cidade mineira em um só final de semana pode até parecer receita para o tumulto e para o desconforto, mas não é. O povo de duas rodas é naturalmente pacífico, ainda que alguns pareçam ter saído de algum inferninho de filme norte-americano, mas é só o jeitão mesmo.


Ninguém que se atreva a rodar de moto mais do que 300 km para chegar num encontro pode estar estressado. Rodar de moto é uma das atividades mais relaxante que existe, seja qual for o estilo do veículo, contanto que pegue a estrada.


O espaço do evento em si, em Tiradentes, é três vezes maior que o de São Lourenço, também em Minas, tomando todo o gramado do Resort do Santíssimo, no centro da cidade, e mais a praça da Rodoviária.


Destaque para o estande da Harley Davidson BH, que trouxe uma boa quantidade de motos, incluindo as novas Pan America e Sportsters com o motor Revolution Max. A BMW também não fez feio, colocando na cara de quem entrava sua estradeira, a R18, seguida das famosas Big Trails da marca.



A Royal Enfield também esteve lá, levando todos os modelos disponíveis no Brasil e a Triumph quase nos fez adotar mais um escudo em nossa garagem. Eu fiquei realmente impressionado com a Scrambler 1200, mas fui retirado à força de cima dela pela esposa que percebeu que o banco não comporta uma garupa confortável.


Honda, Ducati, Kawasaki, Yamaha e KTM também estiveram no evento. Pena que as KTM que estavam por lá eram só as de trilha, pois queríamos ver uma das grandonas, desbravadoras de rallys mundo afora.


Uma referência também merece ser feita à X11, a fabricante de roupas e equipamentos de proteção para motociclistas nacional que tem crescido no gosto dos pilotos. Nós já garantimos algumas coisas da X11 em nosso arsenal, especialmente luvas, e estamos atrás de adquirir um kit completo de calça, jaqueta, segundas peles, botas e capacete para poder fazer um review decente da marca.


O famoso festival de Blues e Jazz que acontece junto ao Tiradentes Bike Fest, merece ser assistido sempre. Tanto no palco da Rodoviária, como no palco principal, dentro do saguão do evento, a qualidade dos músicos que se apresentam faz toda a diferença. Sem os shows, o evento perderia grande parte de sua graça.


O que realmente vale a pena no Tiradentes Bike Fest


Mas o que realmente marca o Tiradentes Bike Fest é o conjunto da obra. A viagem de centenas de quilômetros, os pontos de parada, o encontro eventual com os amigos que estão indo para o mesmo destino, sem precisar combinar, os perrengues da estrada e a chegada na bucólica cidade que parece ter parado nos anos de 1700 fazem desse encontro algo único.


Tem gente que vai até lá e pouco fica no saguão, mas tem lugar cativo nos bares e restaurantes que rodeiam o Largo das Forras ou no Mercado Tunico, numa das esquinas mais movimentadas durante esse final de semana.


Isso sem mencionar nos incríveis museus e Igrejas históricas da cidade. A Matriz de Santo Antônio, a última das obras de Aleijadinho, nos remete a um tempo em que Deus era realmente reverenciado e o sagrado tinha seu lugar no coração dos homens. Meditar diante daqueles altares, contemplar sua beleza, nos leva imediatamente a contemplar Deus.


Interior da Matriz de Santo Antonio, Tiradentes, MG
Interior da Matriz de Santo Antonio, Tiradentes, MG


Mas sempre tem um porém


Para não dizer que só falei de flores e para justificar o título deste artigo, cabe dizer que a viagem seria muito menos cansativa, mas muito mesmo, se as rodovias, especialmente entre as cidades de S. Vicente de Minas e Madre de Deus de Minas, fossem melhor conservadas.


Claro que, nesse ano, os milhares de buracos que enfrentamos no ano passado e que, provavelmente, foram responsáveis pelo dano nos dois amortecedores traseiros hidráulicos da nossa Street Glide, estavam tapados. O problema é que aquilo que era côncavo virou convexo.

irregularidades no asfalto
buracos e calombos entre S. Vicente de Minas e Madre de Deus de Minas

O trecho que antes era cheio de buracos, agora estava coberto de calombos de asfalto, que obrigam o piloto a quadruplicar sua cautela e efetivamente causam danos aos veículos. Isso sem mencionar os acidentes. Infelizmente nos deparamos com uma colisão sobre uma ponte cuja cabeceira nutria uma bela rampa de acesso por conta do desnível causado por buracos e remendos de anos sem fim.


É passível de se considerar imprudência das bravas, circular por aquelas rodovias escuras à noite. Calculamos nosso tempo de viagem com muito cuidado para não enfrentar o trecho pior da estrada sem a devida luz do dia.


Chega a ser até cômico que, logo que cruzamos a divisa de Estados, nos deparemos com uma placa que avisa que a pista adiante tem defeitos e cuja placa está lá há anos, sem que os defeitos sejam devidamente solucionados.

Placa indicando Pista com Defeito
Placa indicando Pista com Defeito

Mas, mesmo considerando isso, que provavelmente só incomoda realmente os pilotos de motos custom, a viagem para o Tiradentes Bike Fest vale cada quilômetro rodado.


Logo na ida, em nossa segunda parada, na divisa de Estado, sobre a Garganta do Embaú, onde há uma grande imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, conhecida popularmente como “A Santa”, encontramos com um conhecido de Cachoeira Paulista que soltou a frase mais certa e mais repetida do rolê: – pra Tiradentes tem que ir!


Harley Davidson estacionada no mirante da garganta do Embaú
Parada no Mirante da Garganta do Embaú, para pedir à Nossa Senhora a proteção para a viagem

Realmente, de todos os encontros que existem no território nacional, parece que o de Tiradentes tem algo de especial, algo que faz com que ele seja obrigatório para quem vai pelo menos uma vez e depois não se cansa de repetir o trajeto.


Enfim, com buracos ou sem buracos, já marcamos na agenda do celular o último final de semana de junho do próximo ano, que deve ser o final de semana do Tiradentes Bike Fest.


Assista à primeira parte de nossa saga de 2023 até o Tiradentes Bike Fest:


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