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Royal Enfield domina o mercado das motos clássicas no Brasil

Os dados de emplacamento de maio de 2026, divulgados pela Fenabrave, contam uma história que qualquer frequentador de café com motos já intuía ao olhar para o estacionamento: a Royal Enfield não só chegou ao Brasil para ficar. Ela passou a ditar o ritmo de um segmento inteiro.


No acumulado de janeiro a maio deste ano, o segmento que a Fenabrave classifica como "Custom" — que abrange as motos clássicas, modern classics e customs — registrou 13.655 emplacamentos. Um número expressivo para um nicho que, há menos de uma década, era visto como mercado de luxo para poucos apaixonados.


Mas o que os dados revelam vai além do volume total. O que chama a atenção mesmo é a concentração em torno de uma única marca.


motos Royal Enfield na estrada

A rainha indiana do pedaço


A Royal Enfield encerrou os primeiros cinco meses de 2026 com mais de 70% de participação no segmento custom/clássico brasileiro. Somando todos os seus modelos presentes no ranking, a marca indiana fechou o período com aproximadamente 10.000 unidades emplacadas. Um número que, sozinho, já colocaria a Royal Enfield entre as marcas mais relevantes do segmento de média cilindrada no país.


O modelo mais vendido foi a Hunter 350, com 3.365 unidades e 24,64% de participação no segmento. Uma moto que a Royal Enfield posicionou com inteligência: acessível em preço para o nicho, leve, urbana, com a estética retrô que o mercado quer, mas sem a complexidade de modelos maiores. É o ponto de entrada perfeito para quem quer sair de uma pequena japonesa e entrar no mundo das clássicas.


Logo atrás vem a Super Meteor 650, com 2.260 unidades (16,55%), e a Meteor 350, com 2.196 (16,08%). Juntas, as duas Meteors somam quase um terço do mercado inteiro do segmento. A Hunter, as duas Meteors e o restante da família Royal Enfield fazem dessa marca não apenas a líder, mas, na prática, o próprio mercado.


Para completar o quadro da dominância indiana, a Royal Enfield ainda emplacou, no mesmo período: 794 unidades da Classic 350 (5,81%), 749 da Shotgun 650 (5,49%), 423 da Bear 650 (3,10%) e 252 da Classic 650 (1,85%).


São sete modelos diferentes competindo dentro do mesmo nicho, e todos da mesma marca. Um portfólio que cobre desde os R$ 20 mil da entrada até os modelos de 650cc próximos dos R$ 40 mil.


A Triumph resiste — mas em outro patamar


A segunda colocada no ranking do segmento é a Triumph, que aparece com a Scrambler 400 na quarta posição geral, com 1.586 unidades emplacadas entre janeiro e maio (11,61% do segmento). A distância para a liderança é grande — a Scrambler 400 vende menos da metade do que a Hunter 350 —, mas a Triumph consegue manter uma presença relevante num território dominado pela rival indiana.


É interessante notar que a Triumph chegou ao segmento de entrada — pelo menos em termos de cilindrada — com a Scrambler 400 e a Speed 400, mas seu posicionamento de marca ancora esses modelos num patamar de percepção e preço diferente. Quem compra uma Scrambler 400 não está comprando uma moto de 400cc. Está comprando o emblema de Hinckley gravado no motor.


O restante do campo


A Kawasaki aparece no oitavo lugar do ranking com a Eliminator 500 — 340 unidades acumuladas (2,49%). Uma estreia promissora para um modelo que a marca japonesa lançou mirando diretamente no território das custom urbanas, mas que ainda não achou o mesmo nível de tração da concorrência indiana.


Na décima posição está a Zontes com a S350, somando 225 unidades (1,65%). A marca chinesa cresce timidamente no nicho, sem ainda ter o peso de marca que o segmento exige.


O que esses números dizem sobre o mercado


Primeiro: o segmento está vivo e crescendo. 13.655 emplacamentos em cinco meses, num nicho que até 2020 vendia uma fração disso, representa uma mudança estrutural no comportamento do consumidor brasileiro de motos.


Segundo: a Royal Enfield construiu no Brasil algo que vai além de vendas — construiu um ecossistema. A marca indiana chegou com concessionárias próprias, comunidade organizada, eventos, conteúdo. Quem compra uma Royal no Brasil não compra só uma moto. Compra pertencimento a um grupo que tem linguagem, estética e valores próprios.


Terceiro: há espaço para mais players. Com 70% de participação numa única marca, qualquer outra fabricante que entrar no jogo com produto certo, preço agressivo e consistência de distribuição vai encontrar mercado disponível. A Triumph sabe disso. A Kawasaki está tentando. Yamaha e Honda observam e a CFMOTO parece ter entendido.


Quarto: o perfil do comprador mudou. O crescimento desse segmento não se explica por moda passageira. Explica-se por uma geração de motociclistas que chegou aos quarenta e tantos anos, acumulou renda, quer uma moto para o fim de semana, para o clube, para as estradas de montanha, e encontrou na clássica uma resposta estética e emocional que a esportiva e a trail não dão. A motocicleta como objeto de desejo e estilo de vida é um mercado diferente do mercado de motocicleta como ferramenta de mobilidade. E é exatamente esse o mercado que está em alta.


Uma liderança consolidada — mas ainda contestável


A Royal Enfield fecha maio de 2026 como a dona absoluta do segmento de motos clássicas, modern classics e customs no Brasil. Mas lideranças assim, construídas em mercados jovens e em expansão, raramente são eternas. O mesmo crescimento que colocou a Royal nesse patamar já atrai competição mais qualificada.


Por enquanto, os números falam por si: se você passou por um encontro de motos clássicas nos últimos meses e achou que havia muita Royal Enfield no estacionamento, não é impressão. É dado.


Dados: Fenabrave — Informativo de Emplacamentos Ed. 281, referência maio de 2026. Segmento Custom, acumulado janeiro–maio 2026.

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