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O futuro dos veículos elétricos

Atualizado: 12 de mar.

Bem antes que o Dr. Emmett Lathrop Brown pousasse seu DeLorean no número 9.303 da Roslyndale Avenue, em Pacoima, na Califórnia, e começasse a fuçar o lixo de Marty McFly para alimentar o Mr. Fusion, que era a célula de combustível daquela máquina do tempo, a indústria vem sonhando em alternativas ao uso de combustíveis fósseis para os automóveis, e a eletricidade já era estudada até por nosso querido engenheiro João do Amaral Gurgel.


Gurgel já havia lançado seu modelo de carro movido à eletricidade, o Itaipu, quando Elon Musk ainda usava fraldas e sequer imaginava que, um dia, estaria à frente de uma das mais famosas fabricantes de carros elétricos do mundo.


Gurgel elétrico Itaipu

Mas, ainda que o aparente sucesso de empresas como a Tesla ou sua maior concorrente chinesa pareça dar indicações de que os motores elétricos vieram para ficar, a realidade e os números não são tão animadores assim.


Em recente matéria no blog do site Autoindústria, podemos ver que os especialistas em futurismo da consultoria Gartner, acreditam que os custos para a produção de veículos elétricos irão cair, viabilizando assim uma maior produção dessas enceradeiras turbinadas, capazes de nos levar de um canto a outro do país.


carro elétrico carregando

Porém, a mesma consultoria também afirma que “nem todas as atuais startups dedicadas ao desenvolvimento da mobilidade elétrica estarão vivas para se beneficiarem desses ganhos de produção e se consolidarem como fabricantes”.


Segundo a previsão deles, até 2027, 15% das empresas que surgiram focadas no mercado dos elétricos já terão deixado de existir, o que demonstra que apostar nesse mercado ainda é um exercício de futurismo arriscado.


Veículos Elétricos: bons para o cenário urbano, perrengues nas viagens


Sem dúvida alguma, para as nossas cidades, os veículos elétricos são uma solução extremamente confortável. Imagine, por exemplo, você não ter mais que parar em postos de combustível no meio de sua jornada diária, e ter seu “tanque cheio” todos os dias, só de deixar seu carro na tomada durante a noite, igualzinho seu iPhone 15 pro Max.


Não somente os carros, mas também as motos e scooters, num cenário urbano ou de pequenas viagens, são uma solução para a diminuição da concentração de poluentes atmosféricos e para a redução do ruído dos motores à combustão.


Imagine um mundo utópico em que todos os motofretistas já não mais passassem com aquele escapamento estourado do seu lado.


scooter verde

Acho que isso já é o suficiente para convencer a mim mesmo, um fã dos motores à combustão, de que os veículos elétricos têm seu lugar ao sol e nós já estamos, cada vez mais, compartilhando nossas ruas com eles.


Mas, atualmente, a tecnologia ainda não atingiu um patamar que permita uma viagem longa com tais veículos sem que você precise queimar uns dinossauros pelo caminho, isso sem contar a paciência para aguardar uma recarga.


Em 2021, em viagem com minha família, logo ao entrarmos na famosa rodovia Regis Bittencourt, com destino ao sul do país, precisávamos completar o tanque de nosso antigo Toyota raiz (recuso-me a ter um Prius). Acontece que, tão pronto chegamos no posto, avistei um senhor encostado em seu veículo elétrico que, por sua vez, estava plugado em uma estação de abastecimento, isto é, aquela tomadona gigante.


Fui até a bomba e pedi para o frentista completar meu tanque com o mais brasileiro dos combustíveis, o Etanol. Gastei menos de 5 minutos para colocar 30 litros do precioso líquido no carro e resolvemos comer algo na conveniência.


Vinte minutos depois, ao deixarmos o restaurante, aquele senhor ainda estava com seu veículo plugado na tomada, aguardando a carga total, enquanto torrava a bateria do próprio smartphone para gastar o tempo.


Ainda falta infraestrutura


Outro ponto que inviabiliza a transformação de toda matriz motorizada é que não há, em nenhuma parte do mundo, uma infraestrutura capaz de fornecer tanta energia elétrica de forma limpa pelas próximas décadas ou, quiçá, século.


A Europa, com suas centenas de milhares de pontos de recarga de veículos nas ruas de quase todas as cidades dos principais países, é um dos continentes que mais queimam combustível fóssil para gerar energia elétrica.


O próprio site da União Europeia esclarece hoje que mais da metade de sua matriz energética é de origem fóssil (gás natural e petróleo) e, pasmem, importada. “A energia nuclear representa outros 13 % e as energias renováveis representam mais de 15 %”.

Portanto, os veículos elétricos ali só se justificam pelo conforto ou pela criação de uma narrativa para o consumidor final, de que ele está contribuindo para o bem do planeta de alguma forma. É mais ou menos aquele ditado: o que os olhos não veem, o coração não sente.


termoelétrica

Nos EUA acontece a mesma coisa, isto é, 60% de sua matriz energética deriva da queima de combustíveis fósseis.


Agora, se deixamos de lado os países mais desenvolvidos e vamos para os rincões mais desafortunados dessa terra, a coisa piora muito, pois, há países inteiros que tem 100% de sua matriz energética de origem fóssil e uma porcentagem enorme de sua população não tem acesso a essa energia.


Ewan McGregor e sua aventura com a Harley Davidson elétrica


Se você possui uma conta na Apple TV, não deixe de assistir às aventuras de moto da dupla de atores britânicos, Ewan McGregor e Charley Boorman. Eles já fizeram um rolê saindo da Inglaterra, dando a volta ao mundo e chegando em Nova York, num primeiro momento. Depois, desceram a África e, por fim, resolveram subir da Patagônia até Los Angeles com duas Harley Davidson elétricas no documentário Long Way Up.


Ewan mcgregor e Charley Boorman

Para a produção do documentário, além das duas motocicletas totalmente elétricas, foram usadas duas pickups também elétricas, protótipos, para apoio. A ideia era mostrar que sim, é possível você ter uma vida de aventuras com energia renovável.


O primeiro desafio que a fabricante das pickups enfrentou foi o de criar uma rede de estações de recarga por todo o caminho, desde o extremo sul da América do Sul subindo grande parte do continente, porque simplesmente não havia infraestrutura para abastecer os veículos na rota.


Não bastasse isso, o frio intenso do sul descarrega muito rapidamente as baterias, que não tinham autonomia para chegar no próximo checkpoint e, algumas vezes, tiveram que recorrer à energia elétrica produzida por um gerador a diesel.


Enfim, hoje, em 2024, a ideia de trocar todos os veículos à combustão do planeta por motores elétricos encontra seu maior rival na realidade nua e crua da vida. Por sinal, muitas iniciativas politicamente corretas são desmontadas imediatamente ao serem confrontadas com a vida ordinariamente real.


Conclusão


Não temos dúvida de que os motores elétricos vieram para ficar e a probabilidade de, cada dia mais, encontrarmos nas ruas de nossas cidades carros e motos elétricas em número considerável, é cada vez maior.


Porém, a energia elétrica não é barata e a demanda por ela é cada vez maior nas casas e indústrias, tornando a presença de motores à combustão extremamente necessária ainda. Isso, sem contar o grande número de países que ainda queima petróleo para gerar energia elétrica. Nosso próprio país, apesar de suas muitas hidrelétricas, não tem uma matriz energética totalmente renovável.


Então, por que não produzir motores à álcool mais eficientes? A presença do álcool como combustível é uma alternativa extremamente saudável e duradoura, isso só pensando no lado ecológico da coisa. Porque, se o medo é de que as reservas de petróleo do mundo possam findar-se, o álcool é virtualmente infinito, já que vem de plantações, e é menos poluente que a gasolina ou o diesel.


Não olhamos com cara feia para os veículos elétricos, mas, diante da realidade que nos cerca, especialmente no Brasil, ainda há muito chão pela frente para que a coisa se torne 100% viável. Hoje, se você quer ter um carro elétrico, terá que adaptar-se a essa nova rotina de vida, que inclui viagens mais curtas e a necessidade de carregar muitos jogos de tabuleiro, para curtir com a família enquanto seu carro novinho fica carregando na tomada mais próxima.


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