Eu não queria falar de vírus

O pessoal que gosta de carro já tem apelidado o ano de 2020 com a alcunha de uma marca europeia cujos veículos costumeiramente apresentam defeito, pois não teve um mês que tenha passado sem algum cataclismo de dimensões apocalípticas (ou do Livro do Êxodo) e, por nosso lado, aqui na Redação, nós juramos que não tocaríamos no principal assunto do ano que é essa pandemia de vírus chinês. E, juramos por diversos motivos.


O primeiro motivo é aquilo que o jornal alemão Deutsche Welle chamou de «infodemia». Há muita informação desencontrada sobre essa mutação nova de um vírus já conhecido da medicina e falar mais sobre isso, sem especialização na causa, só serviria para encher mais o pacote de informações perdidas. Depois que um sujeito, que é biólogo, soltou a morte de 1 milhão de brasileiros, melhor não falar mais nada. Ainda mais, nós, que só somos entusiastas do motor à combustão.A própria Organização Mundial da Saúde parece mais perdida que cachorro que caiu do caminhão de mudança no que se trata do Corona Vírus.


O segundo motivo é a pandemia do «hiper politicamente correto» que surgiu com o vírus e as medidas controversas dos Governadores e Prefeitos, com base numa ciência que mais parece uma fé ao contrário. Até temos a impressão que o vírus é cristão, gosta de festa, não gosta de fazer compras (como eu) e é fitness, além de gostar de certos governos estaduais em detrimento de outros e ser correntista de um determinado banco estatal, porque só tem vírus em Igreja, academia, salão de beleza e em festas familiares. No supermercado ele não entra.


O terceiro motivo é perceber que estão usando essa doença como um experimento social jamais imaginado na história da humanidade. Nem em tempos de Peste na Europa, ou na Gripe Espanhola ou, até mesmo, nas últimas pandemias de Insuficiência Respiratória Aguda causada por outros vírus, como H1N1, a população ficou tão acuada como agora.


Os Fatos

Mas, os fatos estão aí e não podemos ignorá-los. E quais são os fatos que nos incomodam profundamente? O cancelamento de todos os eventos de carros e motos nesse ano. Conforme os meses iam passando, nós víamos um evento caindo após o outro e uma angústia ía surgindo no coração até que as (tão cientificamente embasadas - aviso de ironia) medidas derrubaram nosso querido BMS e depois o Lucky Friends Rodeo e, por fim, pra cravar a estaca no coração, o Tiradentes Bike Fest. Isso só falando em eventos que são minha especialidade no Portal, porque, do lado dos carros, o XXV Encontro Paulista de Autos Antigos em Águas de Lindóia foi cancelado, o VII Encontro Brasileiro de Autos Antigos, também na mesma cidade, foi postergado para outubro, mas sem confirmação, O Brasil Classic Show, em Araxá foi arremessado para 2021, comprometendo inclusive as eleições para o novo biênio da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) e, segue a lista com o Mopar Nationals do Chrysler Club do Brasil e o evento do Pick Ups Clube. Isso sem mencionar a imensidão de encontros regionais que passaram em branco esse ano. Em termos de economia, são milhões e milhões de Reais que deixaram de circular, milhares de famílias que sobrevivem vendendo produtos e alimentos nesses encontros e inumeráveis oportunidades de negócios que não existiram.


Ouso dizer que, se não tivesse ocorrido o BMS em 2019, sequer o Portal Gasolina existiria, como já havia mencionado no artigo que inaugurou esse site. Quando Raul Seixas escreveu «O Dia em que a Terra Parou» errou por 365 dias só, já que pra piorar as coisas, 2020 é ano bissexto e tem 366 dias. Esse ano foi o «ano» em que a Terra parou.

E pensar que, ano passado estávamos esquentando os motores para o lançamento do Portal Gasolina com investimentos feitos, energias concentradas, planejamento para ir em todos os eventos como «imprensa» e, agora, sequer temos notícias para dar. Era pra ter uma galeria de fotos incríveis no site e uma quantidade ímpar de entrevistas e lives em nosso canal do YouTube, mas a infodemia não só fez todo mundo esconder a cara com máscaras de eficácia e estética duvidosa, como gerou medo nas pessoas. O sujeito tem medo de sair de casa, de se encontrar, mesmo com 2 metros de distância. Entrevistas, só por live no Instagram e, para um repórter «das antigas», a falta do «tête-à-tête» atrapalha bastante. Pegar a estrada? Só se for pra ir na farmácia ou na padaria.


Mas, ainda bem que algumas pessoas já tomaram a pílula vermelha do filme Matrix, se redpilaram como dizem, e se recusam a aceitar o «novo normal» (odeio esse termo com todas as forças). Claro que, tomando todas as precauções sanitárias necessárias, pois a doença existe realmente e já nos levou pessoas próximas e, nesse momento que escrevo essa matéria, mantém um grande amigo internado, tendo saído ontem da UTI.


Algumas «adaptações técnicas» foram arranjadas, como encontros no estilo «drive in», em que os proprietários ficam dentro de seus veículos e encontros virtuais foram acontecendo, para que os aficcionados, como nós, pudessem curtir a vibe de seus carrinhos. O Portuga Tavares, jornalista automotivo, teve uma ideia brilhante e disponibilizou seu Instagram para um tipo de Encontro Virtual. O seguidor do perfil envia uma foto de seu carro antigo, que é exposto e o carro pode ser visualizado e curtido e o vencedor recebe um prêmio.


De qualquer forma, eventos daqueles em que você chega com a poeira da estrada no colete e bate nas costas de seu irmão de moto-clube, ou que você leva sua família em seu carro antigo para fazer um convescote num belíssimo parque de exposições, não existiram em 2020 e, mesmo estando só em agosto, pelo tempo de preparação, penso que não existirão, até que alguma panaceia antiviral surja por aí, prometendo a libertação milagrosa dessa super gripe que assolou o mundo. Talvez, Tiago Songa nos salve com seu Pé na Tábua ou o próprio Luiz Gustavo Cabett com o Doginhos na Estrada, antes de soar o Te Deum em 31 de dezembro na Basílica Vaticana.

Mas, já que mencionei o belíssimo canto de ação de graças que os católicos entoam todo final de ano, para nós que vivemos impregnados de gasolina e parece que o tal vírus não é chegado nisso, nem tudo foi desgraça. Temos algo a dar graças a Deus. O mergulho da humanidade no ambiente online talvez tenha garantido um crescimento mais rápido do nosso negócio. O primeiro produto que lançamos, antes mesmo que o próprio portal, foi a GAS-o-LIVE, nossas lives no Instagram. Começamos meio tímidos, sem jeito, afinal de contas, sempre fui jornalista de meio escrito e, como fotógrafo, eu fico atrás das lentes e não à frente delas e meu sócio também não tem formação como apresentador, o que nos garante alguns vexames transmitidos a todo orbe pela Internet, mas seguimos assim mesmo e o formato agradou bastante gente, e gente que somos fãs, que aceitou nosso singelo convite para conversar.


Depois, lançamos nosso canal no YouTube, para onde subimos as GAS-o-LIVEs salvas e onde soltamos alguns vídeos especiais. Concomitante ao lançamento de nosso canal no YouTube, que ainda precisa dos mil assinantes para poder ganhar endereço próprio e começar a monetizar para nós, lançamos o Portal propriamente, com matérias exclusivas e o perfil no Facebook. Ah! também temos nosso Twitter, mas, estranhamente, essa rede social não é tão acessada por nosso público, que fica mais focado no Instagram e no YouTube.


Finalizando, eu não queria falar de vírus, mas esse bendito serzinho microscópico está bagunçando nossa vida e impossibilitando um monte de coisas bacanas que faríamos. As matérias presenciais, entrevistas filmadas e fotografadas, e mais um monte de iniciativas que exigiriam o contato físico ficaram suspensas por causa desse «novo normal» que sou decididamente velho demais para aceitar (quando você tem 40 anos, você só é novo para morrer – oh, coitado! morreu tão jovem!). Mas, não desanimamos e continuamos enchendo nossos tanques com gasolina e lavando nossas mãos com água e sabão em busca daquilo que é possível ser feito, sem colocar em risco nossa integridade física e mental. Nossas GAS-o-LIVEs continuam firmes e fortes nas quartas-feiras às 19h pelo nosso perfil do Instagram, o Portal continua sendo preenchido com textos como esse e temos algumas matérias programadas para gravar e fotografar nos próximos dias e, para os destemidos, lançamos um novo serviço, que são as GASPCITURES e, se Deus quiser, 2020 não será um ano passado em branco para nós.



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